segunda-feira, 9 de junho de 2008

Mitologia Céltica

Mitologia céltica

Uma cruz celta

Uma cruz celta

De modo geral, o termo celta aplica-se aos povos que viveram na Grã-Bretanha e na Europa Ocidental entre 2000 a.C. e 400 d.C.. Eram civilizações da Idade do Ferro, habitantes sobretudo de pequenas aldeias lideradas por chefes guerreiros. Os celtas da Europa continental não deixaram registo escrito, mas conhecemos seus deuses através dos conquistadores romanos, que estabeleceram elos entre muitas dessas divindades e seus próprios deuses. Por exemplo, o deus do trovão Taranis era o equivalente do Júpiter romano, e várias outras divindades locais eram equiparadas a Marte, Mercúrio e Apolo. Os povos do País de Gales e da Irlanda também deixaram uma mitologia muito rica e muitas de suas lendas foram escritas durante a Idade Média. A Mitologia Celta pode ser dividida em três subgrupos principais de crenças relacionadas.

É importante manter em mente que a cultura celta (e suas religiões) não são tão contiguas ou homogêneas quanto foram a cultura romana ou grega por exemplo. Nossos conhecimentos atuais determinam que cada tribo ao longo da vasta área de influência céltica tinha suas próprias divindades. Dos mais de trezentos deuses celtas, poucos efetivamente eram adorados em comum.

Principais Deuses Celtas

Outros Deuses

Os celtas adoravam um grande número de deuses dos quais sabemos pouco mais que os nomes. Entre eles deusas da natureza como Tailtiu e Macha, e Epona, deusa dos cavalos. Figuras masculinas incluiam deuses associados a uma enorme variedade de coisas, como Goibiniu, o fabricante de cerveja. Havia também Tan Hill, a divindade do Fogo.

Cernunnos (também chamado de Slough Feg, ou na forma latinizada Cornífero) é comprovadamente um dos mitos mais antigos mas do qual pouquíssimo se sabe. O escritor romano Lucano fez várias menções a deuses celtas como Taranis, Teutates e Esus que, curiosamente, não parecem ter sido amplamente adorados ou relevantes.

Vários deuses eram formas variantes de outros. A deusa galo-romana Epona parece ser uma variante da deusa Rhiannon, adorada em Gales, ou ainda Macha, adorada na região do Ulster. Povos politeístas raramente se importam em manter seus panteões da forma organizada em que os pesquisadores gostariam de encontrar.

Templos

Frequentemente se diz que os povos celtas não construíam templos, adorando seus deuses apenas em altares em bosques. A arqueologia já provou que isto está incorreto, e várias estruturas de templos já foram encontradas em regiões célticas. Depois das conquistas de Roma sobre partes das regiões celtas, um tipo distinto de templo celto-romano se desenvolveu.

Ritos Celtas

Os primeiros celtas não construíam templos para a adoração de seus deuses, mas mantinham altares em bosques de (Nemeton) dedicados a serem locais de adoração. Algumas árvores eram consideradas elas próprias sagradas. A importância das árvores na religião celta pode ser mostrada pelo fato que o nome da tribo dos Eburônios contém uma referência a yew tree, e nomes como Mac Cuillin (filho de acebo), e Mac Ibar (filho de yew) aparecem nos mitos irlandeses. Apenas durante o período de influência romana os celtas começaram a construir templos, um hábito que foi passado as tribos germânicas que os suplantaram.

Escritores romanos insistiam que o sacrifício humano era praticado pelos celtas em larga escala e há indícios dessa possibilidade vindos de achados na Irlanda, no entanto a maior parte da informação sobre isso veio de rumores de "segunda mão" que chegavam a Roma. São muito poucas as descobertas arqueológicas que substanciam o processo de sacrifício e assim os historiadores modernos consideram que os sacrifícios humanos eram um acontecimento extremamente raro nas culturas Celtas.

Mas havia também, no entanto, um culto guerreiro centrado nas cabeças cortadas de seus inimigos. Os celtas muniam seus mortos de armas e outros pertences, o que indica que acreditavam na vida após a morte. Depois do funeral, eles também cortavam a cabeça do morto e esmagavam seu crânio para evitar que seu espírito permanecesse preso.

Nenhuma menção aos cultos celtas pode deixar de descrever os druidas. Esses sacerdotes representam simplesmente a classe mais ou menos hereditária de xamãs, característica de todas as sociedades indo-européias antigas. Em outras palavras, eles são o equivalente a casta brâmane indiana ou aos magi persas, e como estes um especialista nas práticas de magia, sacrifício e augurio. Eles eram conhecidos por ser particularmente associados à carvalhos e trufas; essas últimas talvez usada na confecção de medicamentos ou alucinógenos. Outra figura importante na manutenção das lendas célticas era o bardo; aquele que, através de suas músicas, difundia os feitos de bravura dos heróis do passado. Desse ponto de vista a cultura celta não foi uma cultura histórica - do ponto de vista que não teve história escrita (ainda que os celtas possuíssem formas rudimentares de escrita, baseadas em traços verticais e horizontais). Suas histórias eram transmitidas oralmente, e os bardos eram particularmente bons nisso já que, uma vez que suas histórias eram musicadas, tornava-se fácil lembrar das palavras exatas que a compunham. Além disso, eles podem ter sido considerados uma espécie de profetas. Os historiadores Estrabo descreveu-os como "vates", palavra que significa inspirado, estasiado. É bem possível que a sociedade céltica tivesse, além da religião taumatúrgica e ritualística dos druídas, um elemento de comunicação estásica com o Além.

Resquícios Modernos

Os modos e as crenças celtas tiveram um grande impacto na atualidade das regiões em que se encontravam. Conhecimentos sobre a religião pré-cristã ainda são comuns nas regiões que foram habitadas pelos celtas, apesar de agora estarem diminuindo. Adicionalmente, muitos santos não-oficiais são adorados na Escócia, como Saint Brid na Escócia (Brigid, na Irlanda), uma adaptação cristã da deusa de mesmo nome. Vários ritos envolvendo peregrinações a vales e poços considerados sagrados aos quais creditam propriedades curativas têm origem celta.

Druidas

Druida

Dois druidas. Baixo-relevo encontrado em Autun.

Dois druidas. Baixo-relevo encontrado em Autun.

Druidas (e druidesas) eram pessoas encarregadas das tarefas de aconselhamento, ensino, jurídicas e filosóficas dentro da sociedade celta. Embora não haja consenso entre os estudiosos sobre a origem etimológica da palavra, druida parece provir de oak (carvalho) e wid (raiz indo-européia que significa saber). Assim, druida significaria aquele(a) que tem o conhecimento do carvalho. O carvalho, nesta acepção, por ser uma das mais antigas e destacadas árvores de uma floresta, representa simbolicamente todas as demais. Ou seja, quem tem o conhecimento do carvalho possui o saber de todas as árvores.

Druidismo

A visão tradicional mostra os druidas como sacerdotes, mas isso na verdade não é comprovado pelos textos clássicos, que os apresentam na qualidade de filósofos (embora presidissem cerimônias religiosas, o que pode soar conflitante). Se levarmos em conta que o druidismo era uma religião natural, da terra baseada no animismo, e não uma religião revelada (como o Islamismo ou o Cristianismo), os druidas assumem então o papel de diretores espirituais do ritual, conduzindo a realização dos ritos, e não de mediadores entre Deus e o homem.

Ao contrário da idéia corrente no mundo pós-Iluminismo sobre a linearidade da vida (nascemos, envelhecemos e morremos), no druidismo, como entre outras culturas da Antigüidade, a vida é um círculo ou uma espiral. O druidismo procurava buscar o equilíbrio, ligando a vida pessoal à fonte espiritual presente na Natureza, e dessa forma reconhecia oito períodos ao longo do ano sendo quatro solares (masculinos) e quatro lunares (femininos), marcados por cerimônias religiosas especiais.

A sabedoria druídica era composta de um vasto número de versos aprendidos de cor e conta-se que eram necessários cerca de 20 anos para que se completasse o ciclo de estudos dos aspirantes a druidas. Pode ter havido um centro de ensino druídico na ilha de Anglesey (Ynis Mon, em galês), mas nada se sabe sobre o que era ensinado ali. De sua literatura oral (cânticos sagrados, fórmulas mágicas e encantamentos) nada restou, sequer em tradução. Mesmo as lendas consideradas druídicas chegaram até nós através do prisma da interpretação cristã, o que torna difícil determinar o sentido original das mesmas.

As tradições que ainda existem do que poderiam ter sido suas práticas religiosas foram conservadas no meio rural e incluem a observância do Halloween, rituais de colheita, plantas e animais que trazem boa ou má sorte e coisas do gênero. Todavia, mesmo tais tradições podem ter sido influenciadas pela cultura de povos vizinhos.

[editar] Fontes clássicas

A principal fonte clássica sobre os druidas é Júlio César, em sua obra De Bello Gallico (A Guerra da Gália). Todavia, os comentários de César sobre os druidas mal enchem uma página e dão margem a inúmeras dúvidas, infelizmente não sanadas por outros autores clássicos (que escreveram ainda menos sobre o tema). César fala sobre a organização e as funções da classe dos druidas (presidência dos ritos, pedagogos e juizes), a eleição do druida-mor, a reunião anual (conclave) na floresta de Carnutos, a isenção do serviço militar e a aprendizagem de longos poemas. Afirma também que os druidas se interessavam em aprender astronomia e assuntos da natureza, e se recusavam terminantemente em colocar seus ensinamentos por escrito.

Outros autores clássicos, como Plínio e Cícero, também se referem ao interesse dos druidas pelo estudo sério dos astros e pela prática da adivinhação. Tácito e Suetônio confirmam o interesse, mas nos apresentam os druidas como bárbaros cruéis e supersticiosos. Analisando o contexto histórico, T.D. Kendrick em sua obra The Druids, afirma que até a época do início do Império Romano, os druidas gozavam de ótima reputação, mas a partir da formação da Igreja Católica, começaram a ser atacados e desprestigiados. Peter Berresford Ellis, em El Espíritu del mundo celta, afirma que tal desprestígio se deveu muito mais a necessidade de justificativas para a conquista e dominação dos celtas do que por demérito dos druidas.

Certo mesmo é que a influência dos druidas deve ter sido considerável, pois três imperadores romanos tentaram extinguí-los por decreto como classe sacerdotal num prazo de 50 anos - sem sucesso. O primeiro foi Augusto, que impediu os druidas de obter a cidadania romana. Em seguida, Tibério baixou um decreto proibindo os druidas de exercerem suas atividades e finalmente Cláudio, em 54 d.C., extinguiu a classe sacerdotal. Certo mesmo é que, 300 anos mais tarde, os druidas ainda continuavam a ser citados por autores como Ausonio, Amiano Marcelino e Cirilo de Alexandria, como uma classe social e religiosa de extrema importância e respeitabilidade.

Finalmente, embora muitos autores clássicos como Hipólito de Roma apresentem os druidas como "filósofos", colocando-os no mesmo nível dos pitagóricos (teriam sido ensinados por um servo de Pitágoras, Zaniolxis) e com elevados conhecimentos de astronomia, não existem provas concretas (ou mesmo vestigiais) de tal saber. Até onde se sabe, o conhecimento que os druidas tinham dos astros e seus ciclos não ultrapassava o de povos similares em seu estágio de desenvolvimento. Mesmo que eles fossem herdeiros diretos da cultura megalítica que construiu Stonehenge, isso significaria apenas um conhecimento mais elaborado dos ciclos lunares e solares e não a sofisticação da astronomia praticada pelos babilônios e egípcios. A comparação com os pitagóricos não implica necessariamente qualquer interesse concreto pela matemática, mas apenas pelo estudo das "ciências ocultas" (que era como os contemporâneos e posteriores aos pitagóricos encaravam as atividades dos mesmos).

domingo, 8 de junho de 2008

Angeologia


A Angeologia é o culto e a prática espiritual relacionada com os anjos.
A sua história envolve-se nas breumas de todos os tempos e de todas as civilizações.
A humanidade acreditou sempre em mensageiros e intermediários entre si e a divindade.Fosse qual fosse essa divindade.
Tal é reconhecido pelos registos na biblia.Porém os anjos não se encontram apenas ligados ás religiões cristãs.No alcorão e na tora existem também amplas referências a anjos, assim como no hinduismo.
Ao longo da história descobre-se vestigios da mesma crença e culto por parte de Incas,Maias,Aztecas,Caldeus, Romanos entre outros.

A Angeologia está para além de qualquer prática religiosa, ou seja as pessoas que seguem ensinamentos da Angeologia e praticam o culto dos anjos não se identificam com qualquer religião establecida.
A Angeologia é uma prática espiritual, espiritualidade e religião não são sinónimos, nem estão sempre presentes.A religião tem a ver com a prática (em principio assente em espiritualidade), essencialmente vivida por ritos e preceitos, os quais geralmente são dirigidos por uma hierarquia e um clero.
A espiritualidade é uma dimensão humana, portanto é parte intrinseca humana (como as dimensões fisicas ou psicológicas), aquilo que dá sentido á vida.

Os Anjos fazem parte da mesma centelha divina que os seres humanos.São espiritualmente filhos do mesmo Pai e Criador.Porém os anjos optaram por não possuir um corpo fisico.A sua evolução continua sempre no plano espiritual.Entre as suas diversas missões, a principal é ajudar-nos, homens e mulheres, na nossa missão terrena.

Nós seres humanos, somos compostos por diversas dimensões - a fisica, a psicológica, a social, a cultural e a espiritual. O nosso espirito é puro. Mantém-se puro independentemente das nossas escolhas. É através do corpo e juntamente com as outras dimensões que evolui e desenvolve.
Deus proporcionou-nos o maior dom de todos ; o livre-arbítrio, ou seja, a liberdade de escolha do nosso rumo.As nossas acções facilitam ou impedem a referida progressão espiritual.
Neste percurso, os Anjos possuem a missão de estar perto de nós e nos ajudar a evoluir espiritualmente e a sermos felizes enquanto vivermos no corpo fisico aqui na Terra.Nunca nos obrigarão ao que quer que seja, interferem apenas quando lhes solicitamos.A excepção é quando a nossa vida corre perigo.

Demonologia


Demonologia é o estudo sistemático dos demônios. Quando envolve os estudo de textos bíblicos, é considerada um ramo da Teologia. Por geralmente se referir aos demônios descritos no Cristianismo, pode ser considerada um estudo de parte da mitologia cristã. A demonologia não é ciência, apesar de alguns textos apresentarem fortes características pseudocientíficas. Também não está diretamente relacionada ao culto aos demônios.

Demonologia Cristã

As mais extensas exposições sobre domonologia cristã são o Malleus Maleficarum, de Heinrich Kramer, Demonolatria, de Nicholas Remy, e Compendium Maleficarum, de Francesco Maria Guazzo, todos assumindo a existência de demônios como reais.

A demonologia se refere a catálogos que tentam nomear e definir uma hierarquia de demônios e espíritos considerados malignos. Nesse sentido, a demonologia pode ser vista como uma imagem em espelho ou um ramo da angelologia, que estuda os anjos.

Os grimórios de ocultismo são tomos que conteriam os feitiços dessa versão da demonologia, contendo instruções de como convocar demônios e (espera-se), submetê-los à vontade do conjurador, embora nem todos os ocultistas antigos ou modernos necessariamente conjurem demônios.


Quantidade

Não se sabe quantos demônios existiriam, mas há tentativas de quantificá-los com bases nas Escrituras Sagradas.

  • Não está claro quantos anjos estiveram envolvidos na guerra no Paraíso. No século XV, o Bispo de Tusculum (c. 1273) estimou que 133.306.668 anjos caíram do Paraíso em um total de 9 dias, número reafirmado por Alphonso de Spina (c. 1460).
  • O Livro de Enoque diz que 200 "filhos de Deus" (anjos), conhecidos como "Guardiães", enamoraram "filhas dos homens", copularam com elas, geraram a raça de gigantes conhecida como Nephilim e foram banidos do Paraíso.
  • O Talmude declara que há 7.405.926 demônios.

Há mais de um relato de que demônios não surgiram como tal, mas foram criados - como os Guardiães, Lilith, que abandonou Adão, vampiros e outros, assim o número de demônios poderia aumentar com o tempo.

No Islã, o demônio "Iblis" (Satã e/ou Lucifer no cristianismo) não era um anjo, mas algo diferente, um "Jinn" (humanos teriam sido criados da terra, anjos da luz e jinn do fogo). Os "Jinn" não seriam necessáriamente maus, poderiam ser bons ou pecadores, assim como os humanos. Portanto, os jinn e humanos seriam as únicas criações de Deus com livre arbítrio, enquanto anjos só poderiam seguir a vontade de Deus.

A existência de uma personalidade sobrenatural malévola, que age para contrariar a vontade de um Deus "bom" é uma das crenças centrais do cristianismo.

Muitos estudiosos acreditam que o Judaismo recebeu originalmente os conceitos de escatologia, angelologia e demonologia do Zoroastrismo. No entanto, alguns acreditam que esses conceitos foram recebidos como parte da tradição Cabala vinda de Adão, Noé e os três patriarcas Abraão, Isaac e Jacó.

No Corão, quando Deus ordenou àqueles que presenciaram a criação de Adão, que se ajoelhassem perante ele, "Iblis" se recusou a fazê-lo, e então foi condenado por recusar a obedecer a vontade de Deus. O Novo Testamento afirma explicitamente a existência de espíritos adversários menores. No Cristianismo, Satã é o líder de uma força do mal se opondo ao todo bondoso Deus.

Budismo e hinduísmo

Algumas correntes do budismo afirmam a existência do inferno povoado por demônios que atormentam os pecadores e tentam os mortais a pecar, ou aqueles que buscam contrariar sua Iluminação, com um demônio chamado Mara como tentador chefe. O hinduísmo contém tradições de combates entre seus deuses e vários adversários, como o combate de Indra e Vritra.

Ciência

Sob o ponto de vista da ciência, o pequeno e o grande, o bem e o mal, o frio e o calor, a noite e o dia, o escuro e o claro, a sombra e o sol não existem, são apenas condições que dependem dos sentidos e sensações dos seres vivos condicionados ao meio. Entende-se que meios, são os referenciais que há séculos comandam o comportamento animal e tudo o que existe em ciência se deve a associação dos fenômenos físicos com as leis da natureza que dão sentido a imaginação humana. Quando aplicados no dia a dia, esses extremos ditam as leis do antro que os governam e inclusive regulame a tecnologia voltada para o bem estar do meio ambiente ideal para os humanos. Paralelamente porém, esses opostos que no passado distante alimentavam as imaginações mais especulativas "que procuravam respostas sobre o paradeiro da alma humana depois da morte" se apresentaram insatisfatórios e permaneceram especulativas até os dias de hoje, sem contudo deixar de ser uma sub categoria presente numa hipótese válida e integrante da mesma arque-cosmologia do Yin yang na qual Deus e o Demônio são personagens extremos dessa filosofia que ao mesmo tempo é base das ciências tanto oriental como ocidental.


Demônios


Um demónio ou demônio, ou ainda, daimon ou daemon é originalmente é um tipo de ser que em muito se assemelha aos gênios da mitologia árabe, mas ao longo dos anos a sua descrição mundo, segundo a maior parte das religiões, que divide de o mundo forma maniqueísta, judaico-cristão, um ser intermediário entre o homem e Deus, tipicamente descrita como um espírito do Mal, embora originalmente, para os gregos, pudesse também ser um ser benigno.

São espíritos do folclore, da mitologia e da religião do mundo inteiro - existem em todas as formas e tamanhos e quase sempre querem fazer alguma coisa ruim. Na maioria das culturas é possível encontrar histórias apavorantes de demônios e suas maldades. Embora hoje sejam reconhecidos como frutos da imaginação, os demônios foram considerados reais em outros tempos e inclusive eram responsabilizados por boa parte dos males acontecidos.

Na Grécia Antiga

Platão ao escrever sobre Sócrates diz que este comunicava-se com um espírito invisível chamado daimon (também escrito daymon). Neste cotexto outra definição para "demônio" seria "repleto de conhecimento", por se atribuir a sua descendência sobrenatural a capacidade de reter vastos conhecimentos por toda uma existência. Nas culturas orientais, demônios seriam todas as criaturas tidas como místicas ou espirituais. Mas não necessariamente de natureza maligna, como nos casos das fadas, anjos, gnomos.

Todos os citados e outros mais seriam classificados como demônios no seu termo genérico por serem ou sobrenaturais ou por possuírem vasto conhecimento ou poder mágico. O único equivalente oriental para um demônio maligno como o visto pelo Ocidente seria o Oni, um tipo de ser espectral cuja natureza seria atormentar outros seres.


Na antiguidade

Os mais antigos relatos sobre demônios podem ser encontrados nas antigas culturas da Mesopotâmia, Pérsia, Egito e Israel, onde uma diversidade de espíritos malignos levava a culpa pelas doenças, pela destruição das plantações, pelas inundações, incêndios, pragas, ódios e guerras. Diziam que demônios com nomes como "O Emboscador" e "o Pegador" estavam sempre prontos a atacar, em todo e qualquer lugar: em desertos e florestas, em porões e telhados e dentro de casas que não estivessem devidamente protegidas com amuletos e feitiços.

No Espiritismo

Na conotação espírita, Demônios são considerados "espíritos ignorantes", que ainda não conheceram o amor. Assim como todos os espíritos, eles também estão em estado de "evolução", logo, assim que conhecerem o amor, o mau se afastará, e ele evoluirá deixando de ser "demônio". Demônio todos nós um dia já fomos, e como nenhum espírito para de evoluir, nos tornamos no que somos hoje.

O ponto de vista cético

Sob o ponto de vista científico o bem e o mal, o frio e o calor, a noite e o dia, o escuro e o claro, a sombra e o sol, não existem são apenas condições transitórias que dependem dos sentidos e das sensações dos seres vivos e do lugar onde se encontram, esses são condicionamentos que há séculos tem comandado o comportamento animal. Tais interferências nos humanos foram usadas como referenciais, para explicar os fenômenos físicos, e tudo o que existe em ciência hoje se deve a associação dos fenômenos físicos com a imaginação humana, quando aplicados em outras deduções os extremos ditam as leis do meio que os governam e regulamentam uma tecnologia inteligente voltada para o bem estar humano. Paralelamente porem, esses opostos que no passado distante alimentaram os avanços das imaginações mais especulativas "que questionavam sobre o futuro ou seja sobre o paradeiro da alma humana depois da morte" se apresentaram insatisfatórios e permaneceram nos domínios da fé até os dias de hoje, sem contudo deixar de ser uma sub categoria da ciência presente numa hipótese válida e inclusive integrante na arque-cosmologia chinesa do Yin Yang que já procurava entender o universo e que simultaneamente deu sentido a fé e as bases das ciências orientais ou ocidentais. Considerar que o ponto de vista dos humanos constantemente tem sofrido adaptações ao meio, e o que é bom hoje, no futuro poderá se transformar num mal. Nesse caso ou pelo menos originalmente, o demônio é o deus do mal e ao mesmo tempo é parte inseparável do deus do bem pois um não pode existir sem o outro e juntos, respondem pela mesma fé que formaram as religiões, as quais hoje movem ou condicionam os atos da humanidade em defesa de ambos.

Na Bíblia

Santo Antônio cercado por demônios, The Temptation of St. Anthony , de Martin Schöngauer
Santo Antônio cercado por demônios, The Temptation of St. Anthony , de Martin Schöngauer

Na maioria das religiões cristãs os demônios são anjos caídos que foram expulsos do terceiro céu (presença de Deus), conforme diz em (Apocalipse 12:7-9). Lúcifer era um querubim da guarda ungido ( Ez 28 & Isaias 14:13-14 ) que, ao desejar ser igual ao Criador (Deus), foi lançado fora do céu. Quando porém ele foi lançado fora do céu sobre a terra, a Bíblia nos relata que Lúcifer (que tem por nome diabo,serpente, dragão, príncipe da potestade do ar, etc...) trouxe com sua cauda um terço dos anjos de Deus (Ap 12:4) - lembrando que isto é uma linguagem figurativa, que significa apenas que junto de si levou os demônios. A Bíblia não cita a quantidade de anjos caídos, mas tem um passagem que diz que o número de anjos que adoram ao Senhor são milhares de milhares e milhões de milhares (Ap. 5:11). O inferno foi feito para eles e a função deles é destruir a máxima criação de Deus (Homem). Sua função é fazer com que o ser humano não conheça a Jesus Cristo. Todos aqueles que morrem sem arrependerem de seus pecados, crendo que Jesus Cristo não é o único Salvador, é lançado no inferno juntamente com estes anjos caídos.

Devido a rituais ou simplesmente a submissão de pessoas ao Diabo, os demônios podem entrar no corpo de alguém, tornando-o o que se chama de endemoniado, ou atuando sobre o corpo de alguém - como no caso do vudu. Fora isso eles podem simplesmente usar alguém para dizer alguma mensagem para outro indivíduo/grupo. Segundo o que se sabe hoje em dia, os meios para se tirar um demônio de um corpo possuido são, pela Igreja Católica, o exorcismo, e pelos evangélicos a simples oração (e em alguns casos jejum), como orientado pela Bíblia.

Para os Cristadelfianos os demônios na Bíblia são os deuses dos pagãos que não têm existência real pois existe um só Deus e uma fonte de poder sobrenatural que é Javé. Segundo os Cristadelfianos os antigos gregos acreditavam que os demônios podiam possuir pessoas e que eram os espíritos dos falecidos que tinham subido ao nível de demônios(semi-deuses que traziam bem ou mal à humanidade. Quando alguém não entendia a causa de uma enfermidade por não ter causa aparente ou por ser uma doença do foro psicológico eram atribuídas a demônios. Jesus usou a linguagem comum no seu dia não quer dizer que ele acreditasse na existência de demônios, se ele usasse termos modernos ninguém o entenderia. Os Cristadelfianos também não acreditam que os anjos possam pecar.

Lista de demônios

Ao redor do globo varias civilizações criaram suas crenças religiosas (que no princípio eram também uma forma da poder político) baseando-se no dualismo, isto é, divindades boas e ruins, estes últimos comumemte chamados de demônios. Com a mistura das religiões e criação da religião católica, divindades de outras religiões tornaram-se demônios cristãos.

Segundo uma versão dos evangélicos, os deuses nada mais eram que os demônios que foram erronemanete endeusados pelas civilizações que perderam o contato com Deus (Jeová).

A

  • Abigor - Demônio comandante de 60 legiões do inferno,deus da honra e da gloria,diz que na batalha do Juízo Final ele irá derrubar muitos anjos antes de cair sobre a glória do arcanjo Miguel.
  • Abaddon - (hebreu) o destruidor.
  • Adramelech - demônio sumeriano.
  • Ahpuch - demônio maia.
  • Ahriman - demônio mazdeano
  • Apollyon - sinônimo grego para Satan, o arquidemônio.
  • Archiri - dêmonio com aparencia de uma garotinha.
  • Asmodeus - demônio hebreu da sensualidade e luxúria, originalmente "criatura do julgamento". É um dos cinco principes do Inferno.
  • Astaroth - deusa fenicia da lascivia, equivalente da Ishtar babilônica.
  • Azazel - (hebreu) instruiu os homens a criarem armas de guerra, introduziu os cosmeticos.
  • Anubis - deus da morte

B

  • Belial - Demônio que acabava com casamentos (popularmente conhecido como "demônio de pomba-gíra", serpente dos mares.
  • Belzebu - Senhor das Moscas,proporcionava os oráculos.
  • Baal - Significava Senhor e era um nome muito comum,que junto com outro designava outa coisa, como: baal lebanon (o senhor do Líbano), baal marquod (o senhor da dança)cujo templo ficava próximo a Beirut,capital do Líbano,em Deir-el-qual'a.(Baal significa senhor,emperador.Esse nome(Baal) era tambem o nome "secundario" de Belial
*Barliargos -Demonio secudario dos generais do inferno.

Biloxih - demônio do subsolo que controla a corrente de almas para o inferno quantas mais almas vão para o inferno mais forte fica este demônio.

C

  • Chemosh - deus nacional de Moabites, mais tarde "demonizado" pela igreja católica.
  • Cimeries - monta um cavalo negro e rege a África.
  • Coyote - demônio do índio americano.
  • Cainn - Demônio que aterrorizava vilarejos

D

  • Demogorgon - nome grego para demônio, diz-se que não seria conhecido pelos mortais.
  • Diabolus - (grego) "broxando para baixo".
  • Djin - demônio árabe

E

  • Emma-O - deus japonês regente do inferno, como Hades ou Plutão.
  • Euronymous - príncipe grego da morte.

F

  • Fenrir - filho de Loki, descrito como um lobo.

G

  • Gorgo - diminutivo de Demogorgon, nome grego para demônio.

H

  • Haborym - sinônimo grego para Satan.
  • Hypnos - Deus grego do sono.

I

  • Ifrit- uma enorme criatura alada constituída de fumaça, que vive no subsolo.
  • Íncubo- demônio medieval que tinha relações com mulheres.

J

L

  • Lúcifer - Príncipe das Trevas, expulso dos Céus por Deus por ter se rebelado a este.
  • Legião - grupo constituido por seis mil demonios.
  • Lilith - A mãe de todos os demonios, rainha dos súcubos.
  • Lilin - Filhos da união de Lilith com outros demônios.
  • Leviatan - Quarto principe do inferno,serpente maligna dos mares, deus das inundações.

M

  • Mammon - deus aramaico da riqueza e do lucro.
  • Maia - deusa etrusca do inferno.
  • Mantus - deus etrusco do inferno.
  • Marduk - deus da cidade de Babilônia.
  • Mastema - sinônimo hebreu para Satan.
  • Melek Taus - demônio yesidi.
  • Mephistopheles - (grego) quem evita luz, Faustus.
  • Metzli - deusa asteca da noite.
  • Mictian - deus asteca da morte.
  • Milcom - demônio amonita.
  • Moloch - demônio fenício e canaanita.
  • Mormo - (grego) rei dos Ghouls, consorte de Hecate.
  • Myrho - demônio da ilusão e da fome.
  • Mummur - deus da música.
  • mephisto- demonio sedutor
  • Maloke - demonio das maldições vem de muleke.

N

  • Nahemah - demônio feminino grego da sedução.
  • Nergal - deus babilônico do hades.
  • Nihasa - demônio do índio americano.
  • Nija - deus polaco do mundo subterrâneo.

O

  • O-Yama - nome japonês para Satan.
  • Oni - é um dos poucos demônios do mal do oriente. Originário da china.

P

R

  • Rimmon - demônio sirio adorado em Damasc
  • Radamathys - demônio dominador do fogo que possui 6 asas negras de anjo e um terceiro olho na testa. Também é conhecido pela sua dupla personalidade malígna e benígna.

S

  • Samael - tradução como veneno de Cristo.
  • Súcubo - Demônios em forma de mulher que invadiam o sonho dos homens fazendo os trair suas esposas, forma feminina do Incubus
  • Satanas - Satan

T

  • T'an-mo - contraparte chinesa para demônio da cobiça, desejo.
  • Tchort - nome russo para Satan, "Deus Negro".
  • Thamuz - deus sumeriano que mais tarde foi relegado ao demonismo.
  • Tunrida - demônio feminino escandinavo.
  • Typhon - personificação grega de Satan.
  • Tengu - Criaturas fantásticas do folclore japonês (existiam varios tipos,os mais famosos são os com cabeça de corvo e corpo de homem)"Eram conheçidos como demonios da montanha".

Y

Triskele- Assassina do Anjo Dariel arrancou a sua face e utiliza-a como sua, matou cem serafins uma Demonio de contractos apesar de quem os fizer nao sobrevivera mais de 5 anos embora possa ser persuadida a dar mais 5 anos de vida com o sacrificio de uma alma de uma pessoa pura e inocente. Triskele assim como muitos demonios de contractos gosta de se meter com os contractos pregando partidas as pessoas.

sábado, 7 de junho de 2008

Sereia







Sereia, Sirene ou Sirena (do gregoΣειρῆνας) é um ser mitológico, parte mulher e parte peixe (ou pássaro, segundo vários escritores e poetas antigos). É provável que o mito tenha tido origem em relatos da existência de animais com características próximas daquela que, mais tarde foram classificados como sirénios.

Filhas do rio Achelous e da musa Terpsícore. Não confundir com Hárpias. Habitavam os rochedos entre a ilha de Capri e a costa da Itália. Eram tão lindas e cantavam com tanta doçura que atraíam os tripulantes dos navios que passavam por ali para os navios colidirem com os rochedos e afundarem. Odisseu, personagem da Odisséia de Homero, conseguiu salvar-se porque colocou cera nos ouvidos dos seus marinheiros e amarrou-se ao mastro de seu navio, para poder ouvi-las sem poder aproximar-se. As Sereias representam na cultura contemporânea o sexo e a sensualidade.

Na Grécia Antiga, porém, os seres que atacaram Odisseu eram na verdade, retratados como sendo sirens, Mulheres que ofenderam a deusa Afrodite e foram viver numa ilha isolada.Se assemelham às harpias, mas possuem penas negras, uma linda voz e uma beleza única.


Algumas das sereias citadas na literatura clássica são:

Segundo a lenda, o único jeito de derrotar uma sereia ao cantar seria cantar melhor do que ela.

Em 1917, Franz Kafka escreveu o seguinte no conto O silêncio das sereias:

As sereias, porém, possuem uma arma ainda mais terrível do que seu canto: seu silêncio.

Ninfas

Ninfa (mitologia)


Ninfas e Sátiro (1873) - Pintura de William-Adolphe Bouguereau
Ninfas e Sátiro (1873) - Pintura de William-Adolphe Bouguereau

Na mitologia grega, ninfas são qualquer membro de uma grande categoria de deusa-espíritos naturais femininos, às vezes ligados a um local ou objecto particular. Muitas vezes, ninfas compõem o séquito de variados deuses e deusas, ver também a genealogia dos deuses gregos. São frequentemente alvo da luxúria dos sátiros.

São a personificação da graça criativa e fecundadora na natureza.

Definição

Ninfa deriva do grego nimphe, que significa "noiva", "velado", "botão de rosa", dentre muitos outros significados.

As ninfas são espíritos, geralmente alados, habitantes dos lagos e riachos, bosques, florestas, prados e montanhas.

São frequentemente associadas a deuses e deusas maiores, como a caçadora Ártemis, ao aspecto profético de Apolo, ao deus das árvores e da loucura Dionísio, ao aspecto pastoreador de Hermes.

Uma classe especial de ninfas, as Melíades, foram citadas por Homero como as mais ancestrais das ninfas. Enquanto as demais ninfas são normalmente filhas de Zeus, as Melíades descendem de Uranus.

Apesar de serem consideradas divindades menores, espíritos da natureza, as ninfas são divindades às quais todo o mundo Helénico prestava grande devoção e homenagem, e mesmo temor. Não podemos esquecer que,de acordo com a mitologia grega,Hérmia era a rainha das fadas e ninfas.

Citações


Callimachus no seu Hino a Delos descreve-nos a angústia de uma Ninfa pelo seu carvalho recentemente atingido por um raio.

As Ninfas aparecem muitas vezes como auxiliares de outras divindades, como são exemplo as ninfas de Circe, ou como ajudantes de certos deuses, particularmente Ártemis, ou mesmo de outras Ninfas de maior estatuto como Calipso.

As Ninfas também aparecem bastante em lendas onde o amor é o motivo central, como as histórias de Eco e Calisto, e ainda onde o papel de mulher de um herói é de certa maneira tema recorrente, como são exemplos a lenda de Aegina e Aeacus ou a da Ninfa Taygete.

Lcantropia - Mitos sobre Lobisomens


No folclore, licantropia é a capacidade ou maldição caída sobre um homem que se transforma em lobo (lobisomem). Em psiquiatria, é um distúrbio aonde o indivíduo pensa ser ou ter sido transformado em qualquer animal. O termo provém do grego lykánthropos (λυκάνθρωπος): λύκος, lýkos ("lobo") + άνθρωπος, ánthrōpos ("homem").


Licantropia folclórica

O lobisomem é um ser lendário, com origem em tradições européias, segundo as quais, um homem pode se transformar em lobo ou em algo semelhante a um lobo, em noites de lua cheia, só voltando à forma humana, novamente, quando o galo canta. Tais lendas são muito antigas e encontram sua raiz na mitologia grega que relata histórias como as de Licaão ou de Damarco de Parrásia, as quais provavelmente foram influenciadas por casos reais de licantropia clínica e/ou porfiria.

Licaão

Zeus transformando Licaão em lobo, gravura de Hendrik Goltzius.
Zeus transformando Licaão em lobo, gravura de Hendrik Goltzius.


Licaão
ou Licaonte (do grego Λυκάων) na mitologia grega era filho de Pelasgo, primeiro rei mítico da Arcádia. Ousou oferecer carne humana a Zeus, que o transformou em lobo como punição ao seu ato de impiedade. Seu nome desde então passa a estar ligado à licantropia.

Damarco


O pugilista de Quirinal (Museu das Termas, Roma)

O pugilista de Quirinal (Museu das Termas, Roma)


Damarco
(~400 a.C.), o Dinita, foi um herói olímpico da Grécia Antiga proveniente da Parrásia (Arcádia). Relatos lendários dizem que este pugilista assumiu a forma de um lobo após um sacrifício a Júpiter Liceu (epíteto de Zeus nas festas arcádias), voltando à condição humana nove anos após o fato, constituindo-se desta forma numa das mais antigas referências de licantropia.

Licantropia clínica

Werwolf, Lucas Cranach der Ältere, 1512. Distúrbios psiquiátricos podem ter dado origem ao mito dos lobisomens.

Werwolf, Lucas Cranach der Ältere, 1512. Distúrbios psiquiátricos podem ter dado origem ao mito dos lobisomens.

No distúrbio psiquiátrico da licantropia, acredita-se que exista um transtorno do senso de identidade própria segundo a definição de Scharfetter. É encontrado principalmente em distúrbios afetivos e esquizofrenia, mas pode ser encontrado em outras psicopatias. Psicodinamicamente, pode ser interpretado como uma tentativa de exprimir emoções suprimidas, especialmente de ordem agressiva ou sexual, através da figura do animal, que pode ser muito variado (lobo, cachorro, sapo, abelha, etc.). A psicoterapia e/ou o uso de medicação neuroléptica podem ser efetivos.


Porfiria

Além do distúrbio psiquiátrico, a porfiria, especialmente a porfiria cutânea tarda é uma doença hereditária que pode levar a desfigurações e distúrbios mentais em casos raros e excepcionais que podem lembrar os lobisomens.


Dragões ou dragos (do grego drákon, δράκωυ) são criaturas presentes na mitologia dos mais diversos povos e civilizações. São representados como animais de grandes dimensões, normalmente de aspecto reptiliano (semelhantes a imensos lagartos ou serpentes), muitas vezes com asas, plumas, poderes mágicos ou hálito de fogo. A palavra dragão é originária do termo grego drakôn, usado para definir grandes serpentes.

Em vários mitos eles são apresentados literalmente como grandes serpentes, como eram inclusive a maioria dos primeiros dragões mitológicos, e em suas formações quiméricas mais comuns. A variedade de dragões existentes em histórias e mitos é enorme, abrangendo criaturas bem mais diversificadas. Apesar de serem presença comum no folclore de povos tão distantes como chineses ou europeus, os dragões assumem, em cada cultura, uma função e uma simbologia diferentes, podendo ser fontes sobrenaturais de sabedoria e força, ou simplesmente feras destruidoras.

Desconhecem-se evidências concretas que fundamentem a existência de dragões semelhantes aos construídos pelo imaginário dos diversos povos, porém existe um réptil chamado dragão-de-komodo que possui feições parecidas com os dragões da cultura européia, apesar da ausência de asas. Dentro dos registros paleontológicos, o que mais se aproximou foram os répteis voadores pterossauros.


Origem dos mitos

Muito se discute a respeito do que poderia ter dado origem aos mitos sobre dragões em diversos lugares do mundo. Em geral, acredita-se que possam ter surgido da observação pelos povos antigos de fósseis de dinossauros e outras grandes criaturas, como baleias, crocodilos ou rinocerontes, tomados por eles como ossos de dragões.

Por terem formas relativamente grande, geralmente, é comum que estas criaturas apareçam como adversários mitológicos de heróis lendários ou deuses em grandes épicos que eram contados pelos povos antigos, mas esta não é a situação em todos os mitos onde estão presentes. É comum também que sejam responsáveis por diversas tarefas míticas, como a sustentação do mundo ou o controle de fenômenos climáticos. Em qualquer forma, e em qualquer papel mítico, no entanto, os dragões estão presentes em milhares de culturas ao redor do mundo.

As mais antigas representações mitológicas de criaturas consideradas como dragões são datadas de aproximadamente 40.000 a. C., em pinturas rupestres de aborígines pré-históricos na Austrália. Pelo que se sabe a respeito, comparando com mitos semelhantes de povos mais contemporâneos, já que não há registro escrito a respeito, tais dragões provavelmente eram reverenciados como deuses, responsáveis pela criação do mundo, e eram vistos de forma positiva pelo povo.


Dragões para a mitologia

Dragões ao redor do mundo

A imagem mais conhecida dos dragões é a oriunda das lendas européias (celta/escandinava/germânica) mas a figura é recorrente em quase todas as civilizações antigas. Talvez o dragão seja um símbolo chave das crenças primitivas, como os fantasmas, zumbis e outras criaturas que são recorrentes em vários mitos de civilizações sem qualquer conexão entre si.

Há a presença de mitos sobre dragões em diversas outras culturas ao redor do planeta, dos dragões com formas de serpentes e crocodilos da Índia até as serpentes emplumadas adoradas como deuses pelos astecas, passando pelos grandes lagartos da Polinésia e por diversos outros, variando enormemente em formas, tamanhos e significados.

Dragões no Médio Oriente

No Médio Oriente os dragões eram vistos geralmente como encarnações do mal. A mitologia persa cita vários dragões como Azi Dahaka que atemorizava os homens, roubava seu gado e destruía florestas.(e que provavelmente foi uma alegoria mística da opressão que a Babilônia exerceu sobre a Pérsia na antiguidade clássica). Os dragões da cultura persa, de onde aparentemente se originou a idéia de grandes tesouros guardados por eles e que poderiam ser tomados por aqueles que o derrotassem, hoje tema tão comum em histórias fantásticas. Na mitologia babilônica todos os deuses descendiam do dragão-fêmea (ou dracena) Tiamat, mas essa começou a enxergá-los como um estorvo e planejou matá-los. Seus planos foram frustrados pela deusa Ea que matou seu consorte Apsu. Posteriormente, Tiamat foi morta pelo deus Marduk.

Dragões no Egito

No Egito antigo, os dragões geralmente eram associados com a imagem de serpentes, e eram frequentemente relacionados com a idéia de mal, embora isso não acarretasse necessariamente em uma visão negativa dos mesmos, visto que a cultura no Egito antigo possuía uma idéia de equilíbrio bastante forte. Diversos dragões também apareciam como explicações para fenômenos naturais, como o dia e a noite, representado mitologicamente como a eterna batalha entre o deus-sol e a serpente/dragão Apep.

Dragões na Mesopotâmia

Na antiga Mesopotâmia também havia essa associação de dragões com o mal e o caos. Os dragões dos mitos sumérios, por exemplo, frequentemente cometiam grandes crimes, e por isso acabavam punidos pelos deuses - como Zu, um deus-dragão sumeriano das tempestades, que em certa ocasião teria roubado as pedras onde estavam escritas as leis do universo, e por tal crime acabou sendo morto pelo deus-sol Ninurta. E no Enuma Elish, épico babilônico que conta a criação do mundo, também há uma forte presença de dragões, sobretudo na figura de Tiamat. No mito, Tiamat (apontada por diversos autores como uma personificação do oceano) e seu consorte mitológico Apsu (considerado como uma personificação das águas doces sob a terra) se unem e dão a luz aos diversos deuses mesopotâmicos. Apsu, no entanto, não conseguia descansar na presença de seus rebentos, e decide destruí-los, mas é morto por Ea, um de seus filhos. Para vingar-se, Tiamat cria um exército de monstros, entre os quais 11 que são considerados dragões, e prepara um ataque contra os jovens deuses. Liderados pelo mais jovem entre eles, Marduk, que mais tarde se tornaria o principal deus do panteão babilônico, os deuses vencem a batalha e se consolidam como senhores do universo. Do corpo morto de Tiamat são criados o céu e a terra, enquanto do sangue do principal general do seu exército, Kingu, é criada a humanidade. O Dragão de Mushussu é subjugado por Marduk, se tornando seu guardião e símbolo de poder.

Dragões nas lendas orientais

Na China, a presença de dragões na cultura é anterior mesmo à linguagem escrita e persiste até os dias de hoje, quando o dragão é considerado um símbolo nacional chinês. Na cultura chinesa antiga, os dragões possuíam um importante papel na previsão climática, pois eram considerados como os responsáveis pelas chuvas. Assim, era comum associar os dragões com a água e com a fertilidade nos campos, criando uma imagem bastante positiva para eles, mesmo que ainda fossem capazes de causar muita destruição quando enfurecidos, criando grandes tempestades. As formas quiméricas do dragão Lung chinês, que misturam partes de diversos animais, também influenciaram diversos outros dragões orientais, como o Tatsu japonês.

Nos mitos do extremo oriente os dragões geralmente desempenham funções superiores a de meros animais mágicos, muitas vezes ocupando a posição de deuses. Na mitologia chinesa os dragões chamam-se long e dividem-se em quatro tipos: celestiais, espíritos da terra, os guardiões de tesouros e os dragões imperiais. O dragão Yuan-shi tian-zong ocupa uma das mais altas posições na hierarquia divina do taoísmo. Ele teria surgido no princípio do universo e criado o céu e a terra.

Nas lendas japonesas os dragões desempenham papel divino semelhante. O dragão Ryujin, por exemplo, era considerado o deus dos mares e controlava pessoalmente o movimento das marés através de jóias mágicas.

Dragões na Bíblia

Os dragões segundo a cultura cristã, são aqueles que mais influenciaram a nossa visão contemporânea dos dragões.

Muito da visão dos cristãos a respeito de dragões é herdado das culturas do médio oriente e do ocidente antigo, como uma relação bastante forte entre os conceitos de dragão e serpente (muitos dragões da cultura cristã são vistos como simples serpentes aladas, as vezes também com patas), e a associação dos mesmos com o mal e o caos.

De acordo com o Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, no Antigo Testamento, dragões tipificam os inimigos do povo de Deus, como em Ezequiel 29:3. Ao fazer isso, associa-se a idéia das mitologias de povos próximos, para dar maior entendimento aos israelitas. É por isso que a Septuaginta, na sua narrativa da história de Moisés, traduz “serpente” por “dragão”, para dar maior glória à ação de Deus (Êxodo 7:9-12).

Há ainda, no antigo testamento, no Livro de Jó 41:18-21, a seguinte descrição:
18 Os seus espirros fazem resplandecer a luz, e os seus olhos são como as pestanas da alva.
19 Da sua boca saem tochas; faíscas de fogo saltam dela.
20 Dos seus narizes procede fumaça, como de uma panela que ferve, e de juncos que ardem.
21 O seu hálito faz incender os carvões, e da sua boca sai uma chama.

Em Isaías 30:6, há citado um “áspide ardente voador” (versão ARC), junto com outros animais, para ilustrar a terra para onde os israelitas serão levados, pois o contexto do capítulo é sobre a repreensão deles. No Novo Testamento, acha-se apenas no Apocalipse de São João, utilizado como símbolo de satanás.

O Leviatã, a serpente cuspidora de fumaça do livro de , também é considerado um dragão bíblico. Os dragões nas histórias cristãs acabaram por adotar esta imagem de maldade e crueldade, sendo como representações do mal e da destruição.

O caso do mais célebre dragão cristão é aquele que foi morto por São Jorge, que se banqueteava com jovens virgens até ser derrotado pelo cavaleiro. Esta história também acabou dando origem a outro clássico tema de histórias de fantasia: o nobre cavaleiro que enfrenta um vil dragão para salvar uma princesa.

Dragões na América pré-colombiana

Os dragões aparecem mais raramente nos mitos dos nativos americanos, mas existem registros históricos da crença em criaturas "draconídeas".

Um dos principais deuses das civilizações do golfo do México era Quetzalcoatl, uma serpente alada. Nos mitos da tribo Chincha do Peru, Mama Pacha, a deusa que zelava pela colheita e plantio, era às vezes descrita como um dragão que causava terremotos.

O mítico primeiro chefe da tribo Apache (que, segundo a lenda, chamava-se Apache ele próprio) duelou com um dragão usando arco e flecha. O dragão da lenda usava como arco um enorme pinheiro torcido para disparar árvores jovens como flechas. Disparou quatro flechas contra o jovem, que conseguiu se desviar de todas. Em seguida foi alvejado por quatro flechas de Apache e morreu.

No folclore brasileiro existe o Boitatá, uma cobra gigantesca que cospe fogo e defende as matas daqueles que as incendeiam.

Dragões nas lendas européias

No ocidente, em geral, predomina a idéia de dragão como um ser maligno e caótico, mesmo que não seja necessariamente esta a situação de todos eles. Nos mitos europeus a figura do dragão aparece constantemente, mas na maior parte das vezes é descrito como mera besta irracional, em detrimento do papel divino/demoníaco que recebia no oriente.

A visão negativa de dragões é bem representada na lenda nórdica ou germânica de Siegfried e Fafnir, em que o anão Fafnir acaba se transformando em um dragão justamente por sua ganância e cobiça durante sua batalha final contra o herói Siegfried. Nesta mesma lenda também pode ser visto um traço comum em histórias fantásticas de dragões, as propriedades mágicas de partes do seu corpo: na história, após matar Fafnir, Siegfried assou e ingeriu um pouco do seu coração, e assim ganhou a habilidade de se comunicar com animais.

Na mitologia grega, também é comum ver os dragões como adversários mitológicos de grandes heróis, como Hércules ou Perseu. De acordo com uma lenda da mitologia grega, o herói Cadmo mata um dragão que havia devorado seus liderados. Em seguida, a deusa Atena apareceu no local e aconselhou Cadmo a extrair e enterrar os dentes do dragão. Os dentes "semeados" deram origem a gigantes, que ajudaram Cadmo a fundar a cidade de Tebas.

Sláine, Cuchulainn e diversos outros heróis celtas enfrentaram dragões nos relatos dos seus povos.

A lenda polonesa do dragão de Wawel conta como um terrível dragão foi morto perto da actual cidade de Cracóvia.

Durante a idade média as histórias sobre batalhas contra dragões eram numerosas. A existência dessas criaturas era tida como inquestionável, e seu aspecto e hábitos eram descritos em detalhes nos bestiários da Igreja Católica. Segundo os relatos tradicionais, São Jorge teria matado um dragão.

Muitos povos celtas, por exemplo, possuíam imagens dragões em seus brasões familiares, e há também muitas imagens de dragões como estandartes de guerra desses povos. Assim, ao contar histórias de vis dragões sendo enfrentados e vencidos por nobres heróis cristãos, os escritores cristãos também estavam fazendo uma apologia da sua religião contra as antigas tradições locais. Pode-se fazer até mesmo um paralelo entre as famosas armas de sopro draconianas e a pregação destas religiões: um dragão que sopra nuvens venenosas, por exemplo, poderia também ser usado como metáfora para blasfêmias "venenosas" proferidas por falsos profetas pagãos.

Em Portugal, o dragão mais famoso é a "coca" ou "coca rabixa". A festa da "coca" realiza-se no dia do Corpo de Deus.

No ano de 2006, o Discovery Channel exibiu um documentário dissertando que os dragões realmente existiram. Seriam a evolução de certos répteis. O fogo poderia ser expelido pela boca pois havia gás metano junto de demais gases dentro do estômago, assim como nós mesmos temos.


Dragões na cultura pop moderna

Na modernidade, os dragões se tornaram um símbolo atrativo para a juventude. São criaturas poderosas que dão a idéia de força e controle, ao mesmo tempo que a capacidade de voar remete à idéia de liberdade. O dragão desenhado no estilo oriental é parte quase obrigatória de logotipos de Academias de Artes marciais pelos motivos já citados e pela sua ligação com a história dos países asiáticos onde estes esportes surgiram.

Dragões aparecem em várias histórias do gênero fantasia, desde O Hobbit de J.R.R. Tolkien com o dragão Smaug, passando por Conan de Robert E. Howard e chegando a filmes modernos como Reino de Fogo, que descreve um futuro apocalíptico, no qual a humanidade foi massacrada pelos répteis. O dragão considerado clássico foi imortalizado principalmente pela figura de Smaug, em O Hobbit, livro de J. R. R. Tolkien. Seguindo o conceito da cultura cristã ocidental, Smaug era um dragão terrível e destruidor, que reunia grandes tesouros em seu covil na Montanha Solitária. Por ter sido este o romance que praticamente iniciou toda a tradição de literatura fantástica contemporânea, Smaug acabou se tornando o estereótipo do dragão fantástico atual.

Dragões são extremamente populares entre jogadores de RPG. Na verdade seu nome mesmo aparece no título do primeiro jogo desse gênero - Dungeons and Dragons. Dragões também são tema recorrente em jogos como Arkanun e RPGQuest.

São também mascotes de clubes desportivos, nomeadamente o FC Porto, clube cujo estádio se chama "Dragão".

O sopro de fogo

O sopro de fogo dos dragões seria teoricamente possível, caso seus pulmões pudessem separar alguns dos gases que compõe o ar e se fossem de um material tolerante ao calor. A centelha de ignição poderia ser obtida da fricção de dois ossos ou pela ingestão de minerais, que poderiam ser combinados quimicamente para gerar uma reação exotérmica. Outras ideias são a utilização de magia por parte dos dragões de modo a criar fogo, sem que este lhes danifique os tecidos e o marfim da boca.

Os dragões representam, em parte a liberdade e o poder que o Homem deseja atingir. Seria bom acreditarmos que eles existem, ignorando a ciência neste assunto, além de mais ainda não se conseguiu explicar como é que a ideia de uma criatura, com asas, sopro de fogo, escamas e potencialmente mágica, pode chegar a culturas tão distantes e diferentes como a China Antiga ou os maias e os astecas.

Dragões para a Biologia

Existem também dragões verdadeiros no mundo real. Não se tratam realmente de dragões como nas concepções comentadas acima, mas sim de diversos seres vivos que, por alguma semelhança qualquer, foram nomeados em homenagem as estas criaturas mitológicas.

Existe entre os répteis, por exemplo, o gênero Draco usado para designar espécies normalmente encontradas em florestas tropicais, que possuem abas parecidas com asas nos dois lados do seu corpo, usando-as para planar de uma árvore para outra nas florestas.

Existem diversas espécies de peixes, especialmente de cavalos marinhos, que possuem nomes populares de dragões.

O Dragão-de-komodo (Varanus komodoensis), um grande lagarto podendo chegar ao tamanho de um crocodilo, carnívoro encontrado na ilha de Komodo, no arquipélago da Indonésia, tem esse nome devido à sua aparência, que remete aos dragões mitológicos. Acabou se tornando o mais famoso dragão do mundo real. É a maior espécie de lagarto que existe e este réptil já vivia na face da terra muito tempo antes da existência do homem. Possui em sua saliva bactérias mortais que tornam inútil a fuga de uma presa após levar uma mordida, pois sobrevém uma infecção rápida e letal que mata em alguns dias. Mesmo apesar de serem tão letais, um dragão não morre caso se morda ou algo assim, pois seu sangue possui substâncias capazes de neutralizar as bactérias que habitam sua boca.